26 fevereiro 2026

Brasil registra 88 casos de Mpox em 2026; saiba como evitar a doença

 26.02.2026

Do portal da Agência Brasil

Por Flávia Albuquerque - Repórter da Agência Brasil

Estado de São Paulo contabiliza a maioria dos casos

O Brasil registrou 88 casos confirmados do vírus Mpox, com a maioria sendo no estado de São Paulo, que desde janeiro contabiliza 62 casos. Os outros registros aparecem no Rio de Janeiro (15), em Rondônia (4), em Minas Gerais (3), no Rio Grande do Sul (2), no Paraná (1) e no Distrito Federal (1). Os quadros leves a moderados predominam e não há óbitos. Em 2025, foram registrados no país 1.079 casos e 2 óbitos. Os dados são do Ministério da Saúde. 

O que é Mpox e quais são os sintomas?

Causada pelo vírus Monkeypox, a doença tem seu contágio por meio de contato pessoal próximo com lesões na pele, fluidos corporais, sangue ou mucosas de pessoas infectadas. O sintoma mais comum da doença é a erupção na pele, semelhante a bolhas ou feridas, que pode durar de duas a quatro semanas. O quadro pode incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, dores nas costas, apatia e gânglios inchados. A erupção cutânea pode afetar o rosto, as palmas das mãos, as solas dos pés, a virilha, as regiões genitais e/ou anal.

Como a Mpox é transmitida?

O vírus se espalha de pessoa para pessoa por meio do contato próximo com alguém infectado, incluindo falar ou respirar próximos uns dos outros, o que pode gerar gotículas ou aerossóis de curto alcance; contato pele com pele, como toque ou sexo vaginal/anal; contato boca com boca; ou contato boca e pele, como no sexo oral ou mesmo o beijo na pele.

O compartilhamento de objetos recentemente contaminados com fluidos ou materiais de lesões infectantes também pode transmitir a doença.

Em quanto tempo a doença se manifesta?

O intervalo de tempo entre o primeiro contato com o vírus até o início dos sinais e sintomas da Mpox (período de incubação) é tipicamente de 3 a 16 dias, mas pode chegar a 21 dias.

Ao notar os sintomas, é preciso procurar uma unidade de saúde para fazer o exame laboratorial, que é a única forma de confirmação. O diagnóstico complementar deve ser realizado considerando as seguintes doenças: varicela zoster, herpes zoster, herpes simples, infecções bacterianas da pele, infecção gonocócica disseminada, sífilis primária ou secundária, cancróide, linfogranuloma venéreo, granuloma inguinal, molusco contagioso, reação alérgica e quaisquer outras causas de erupção cutânea papular ou vesicular.

“Pessoas com suspeita ou confirmação da doença devem cumprir isolamento imediato, não compartilhar objetos e material de uso pessoal, tais como toalhas, roupas, lençóis, escovas de dente, talheres, até o término do período de transmissão”, orienta o Ministério da Saúde.

Qual é o tratamento?

O tratamento consiste no alívio dos sintomas, na prevenção, no manejo das complicações e em evitar sequelas. A maioria dos casos apresenta sinais e sintomas leves e moderados. Não há medicamento aprovado especificamente para Mpox.

A prevenção consiste em evitar contato direto com pessoas com suspeita ou confirmação da doença. Caso seja necessário ter contato, a recomendação é a de utilizar luvas, máscaras, avental e óculos de proteção.

Também é recomendado lavar as mãos com água e sabão ou utilizar álcool em gel frequentemente. As medidas de higiene são especialmente importantes após o contato com a pessoa infectada, suas roupas, lençóis, toalhas e outros itens ou superfícies que possam ter entrado em contato com as erupções e lesões da pele ou secreções respiratórias.

“Lave as roupas de cama, roupas, toalhas, lençóis, talheres e objetos pessoais da pessoa com água morna e detergente. Limpe e desinfete todas as superfícies contaminadas e descarte os resíduos contaminados (por exemplo, curativos) de forma adequada”, alerta o Ministério.

Mpox pode matar?

Na maioria dos casos, os sintomas da doença desaparecem sozinhos em poucas semanas. Mas, em algumas pessoas, o vírus pode provocar complicações médicas e mesmo a morte. Recém-nascidos, crianças e pessoas com imunodepressão pré-existente correm maior risco de sintomas mais graves e de morte pela infecção.

Quadros graves causados pela Mpox podem incluir lesões maiores e mais disseminadas (especialmente na boca, nos olhos e em órgãos genitais), infecções bacterianas secundárias de pele ou infecções sanguíneas e pulmonares. As complicações se manifestam ainda por meio de infecção bacteriana grave causada pelas lesões de pele, encefalite, miocardite ou pneumonia, além de problemas oculares.

Pacientes com Mpox grave podem precisar de internação, cuidados intensivos e medicamentos antivirais para reduzir a gravidade das lesões e encurtar o tempo de recuperação. Dados disponíveis mostram que entre 0,1% e 10% das pessoas infectadas pelo vírus morreram, sendo que as taxas de mortalidade podem divergir por conta de fatores como acesso a cuidados em saúde e imunossupressão subjacente.

São Paulo

Apesar dos números apresentados pelo governo federal, a Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo (SES-SP) afirma que o número de casos no estado é de 50. A capital paulista é a cidade com maior número de casos: 31. Campinas, Paulínia, Sumaré, Hortolândia, Sorocaba, Várzea Paulista, Araquaquara, Osasco, Cotia, Jandira, Serrana, Arujá, Santos, Guarulhos e Pradópolis registram um caso. Em Ribeirão Preto e Mogi das Cruzes, são dois em cada. No ano passado, em janeiro, foram registrados 79 casos e, em fevereiro, 47 casos, totalizando, 126 casos nos dois primeiros meses do ano.

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Fonte:https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2026-02/brasil-registra-88-casos-de-mpox-em-2026-saiba-como-evitar-doenca#:~:text=Causada%20pelo%20v%C3%ADrus%20Monkeypox%2C%20a,de%20duas%20a%20quatro%20semanas.

19 fevereiro 2026

Neonazista acusado de ordenar ataque que matou brasileira começa a ser julgado em Portugal

19.02.2026

Do portal BRASIL247

Português é apontado como mentor virtual de massacres no Brasil e responderá por incentivo a homicídios, crimes de ódio e exploração ilegal online

Em 23 de outubro de 2023, um adolescente brasileiro anunciou dentro do grupo que realizaria um ataque na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo. O atentado terminou com a morte da estudante Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, baleada à queima-roupa, além de deixar outros três alunos feridos.

O crime foi transmitido ao vivo em perfis ligados ao grupo virtual, reforçando a suspeita de coordenação direta do mentor estrangeiro.

Influência considerada decisiva

O Ministério Público de Portugal sustenta que o autor do ataque não teria capacidade de planejar sozinho a ação. Para os promotores, a influência exercida por Miguel Ângelo foi determinante para a execução do crime.

O julgamento envolve acusações de incentivo a sete crimes de homicídio — um consumado e outros seis na forma de tentativa ou planejamento. Três ataques adicionais teriam sido evitados após autoridades brasileiras interceptarem mensagens suspeitas. Além disso, o réu responde por associação criminosa, pornografia envolvendo menores, apologia à violência, maus-tratos a animais e incitação ao ódio e ao suicídio.

Cooperação internacional

As investigações foram conduzidas em parceria entre a Polícia Judiciária de Portugal e a Polícia Federal, que compartilharam provas digitais e rastreamento de atividades online consideradas essenciais para a acusação. Em comunicado anterior, a Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária afirmou: “Através de ideias violentas e extremistas, dava conselhos quanto ao modus operandi (...) na preparação e prática dos crimes. Foi na sequência destes comportamentos que veio o ataque numa escola de Sapopemba, resultando na morte de uma jovem de 17 anos”. Segundo a autoridade portuguesa, a investigação teve caráter urgente para identificar e interromper atividades virtuais que incentivavam atentados e radicalização juvenil.

Estratégia da defesa e impacto do caso

A defesa do acusado deve contestar parte das provas produzidas no Brasil, argumentando sobre a validade jurídica de elementos obtidos fora do território português. O julgamento deverá analisar principalmente o grau de responsabilidade criminal de influenciadores digitais em crimes cometidos por terceiros.

O processo ocorre em meio ao aumento de crimes de ódio e à preocupação crescente com a atuação de grupos extremistas online na Europa e na América Latina. Especialistas apontam que o caso pode estabelecer precedentes sobre responsabilização penal por radicalização digital e incitação indireta à violência.

Enquanto o julgamento avança, familiares da vítima e autoridades brasileiras acompanham o desfecho do processo, visto como um dos mais emblemáticos envolvendo terrorismo doméstico, extremismo virtual e cooperação internacional contra crimes digitais

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Fonte:  https://www.brasil247.com/mundo/neonazista-acusado-de-ordenar-ataque-que-matou-brasileira-comeca-a-ser-julgado-em-portugal

10 fevereiro 2026

Nordeste lidera notas 1.000 na redação do ENEM; Sul do país não teve nenhuma nota máxima

10.02.2026 
Do portal PRAGMATISMO POLÍTICO, 20.01.26
Por Redação 

Resultado do ENEM 2025 revela que apenas 7 estudantes tiraram a nota máxima na redação. E seis destas conquistas históricas foram de alunos do Nordeste. A região já tinha sido destaque no último IDEB: das 21 escolas públicas brasileiras com notas 10, todas são do Nordeste


Quem acompanhou a divulgação das notas do ENEM 2025 na última sexta-feira (16) pode ter notado a falta de uma informação tradicional: quantas pessoas tiraram a nota mil na redação? Contudo, diversos levantamentos realizados mostraram que, ao todo, foram sete notas mil em todo o Brasil. E seis destas conquistas históricas foram de estudantes do Nordeste.

 Ao mesmo tempo, as redações com notas mil do Nordeste foram: Pernambuco e Bahia com dois alunos cada; e Ceará e Alagoas registraram uma redação com nota máxima.

Fora da região, apenas o Rio de Janeiro, no Sudeste, teve um candidato com desempenho máximo. A princípio, diferente de anos anteriores, o Inep (Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais) não realizou uma coletiva de imprensa para apresentar esses dados detalhados. Ao mesmo tempo, a assessoria do instituto também não divulgou a informação através de outros canais.

Contudo, mesmo sem os números oficiais, já conhecemos alguns casos de sucesso. Um deles é o de Wellington Ribeiro, de 19 anos, de Pernambuco, que conseguiu a nota mil e compartilhou sua estratégia de preparação.

Wellington treinou por quatro anos para dominar o modelo de redação do ENEM. Ele evitou fórmulas prontas e focou em construir um repertório sólido. Para a redação de 2025, ele usou referências como o conto “Feliz Aniversário”, de Clarice Lispector, a Lei dos Sexagenários e o sociólogo Ruy Braga.

Nordeste é destaque também no IDEB

O Brasil teve 21 escolas públicas com nota 10 nos anos iniciais em 2023, segundo dados do Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica). Os anos iniciais fazem parte do ensino fundamental, do 1º ao 5º ano.

Todas as escolas estão na região Nordeste, com destaque para o Ceará, que colocou 15 unidades com nota 10. Alagoas vem em seguida com cinco e Pernambuco fecha a lista com uma escola com a nota máxima.



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Fonte: https://www.pragmatismopolitico.com.br/2026/01/nordeste-lidera-notas-1-000-na-redacao-do-enem-sul-do-pais-nao-teve-nenhuma-nota-maxima.html

09 fevereiro 2026

Polícia quer apreender passaporte de envolvido na morte do cão Orelha

09.02.2025

Do portal da AGÊNCIA BRASIL, 07.02.26

Por Luciano Nascimento, repórter

A meta é impedir que o acusado saia do país 

A Polícia Civil de Santa Catarina pediu a apreensão do passaporte do adolescente acusado da morte do cão Orelha, na Praia Brava, em Florianópolis. A solicitação foi feita à justiça. A Polícia Federal também foi comunicada sobre o pedido. O objetivo é impedir que o adolescente saia do país.

Em nota, a Polícia Civil disse que o Ministério Público (MP) do estado se manifestou favorável ao pedido.

A instituição tem atuado de forma constante para que a denúncia dos envolvidos possa prosseguir para a justiça junto com as demais provas já obtidas nas investigações da morte do Cão Orelha”, diz a nota.

Divergências

A investigação em torno do caso enfrenta divergências entre a Polícia Civil e o MP. Ainda na sexta-feira (6), o MP informou que requisitará à Polícia Civil, nos próximos dias, diligências complementares nas investigações realizadas a partir da morte do cão Orelha.

Segundo o MP, tanto a 10ª Promotoria de Justiça da capital, da área da Infância e Juventude, quanto a 2ª Promotoria de Justiça, da área criminal, concluíram pela necessidade de mais esclarecimentos e maior precisão na reconstrução dos acontecimentos.  

O Ministério Público disse que identificou lacunas que precisam ser completadas na apuração “da possível participação de adolescentes em atos infracionais análogos a maus-tratos contra animais, relacionados à morte de um dos cães”.  

Para a Polícia Civil há base legal para o pedido de internação do adolescente investigado pela morte do cão comunitário.

Possível coação

O órgão disse ainda que segue apurando a possível prática de coação no curso do processo e ameaça envolvendo familiares dos adolescentes investigados e um porteiro de um condomínio da Praia Brava. O MP disse que concluiu pela necessidade de ampliar e detalhar a apuração dos fatos e “irá requisitar diligências complementares à Polícia Civil, inclusive para confirmar a inexistência de relação dos supostos crimes com a agressão aos animais”.  

Na terça-feira (3), a Polícia Civil de Santa Catarina encerrou as investigações sobre as agressões que levaram o cão Orelha à morte e pediu a internação de um dos quatro adolescentes envolvidos no crime. 

Para conseguir provar a participação do autor - que não teve o nome revelado por ser menor de idade - as autoridades tiveram de recorrer à tecnologia importada e análise de imagens de câmeras de segurança.

Filmagens

Segundo informações da polícia, foram analisadas mais de mil horas de filmagens captadas por 14 câmeras. Além disso, 24 testemunhas foram ouvidas.

As imagens analisadas foram fundamentais para as autoridades, embora não existam gravações do momento do ataque ao animal. Foi através delas que os investigadores puderam verificar as roupas usadas pelo rapaz acusado no dia do crime, além de comprovar que ele havia saído de madrugada do condomínio onde mora.

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Fonte:https://agenciabrasil.ebc.com.br/geral/noticia/2026-02/policia-quer-apreender-passaporte-de-quem-matou-cao-orelha

Tribunal do Irã condena Narges Mohammadi a mais sete anos e meio de prisão

09.02.2026
Do portal BZN NOTÍCIAS
Por BZN

A ativista iraniana de direitos humanos Narges Mohammadi, vencedora do Prêmio Nobel da Paz de 2023, foi condenada a mais sete anos e meio de prisão por um tribunal do Irã, segundo confirmou seu advogado, em mais um capítulo de quase 25 anos de enfrentamento ao regime de Teerã, marcado por críticas à pena de morte e às regras rígidas impostas às mulheres no país.

De acordo com o advogado Mostafa Nili, esta é a oitava sentença imposta a Narges ao longo de sua trajetória de ativismo. Ela havia sido detida em 12 de dezembro de 2025, na cidade de Mashhad, no nordeste do Irã, junto com outros ativistas, após discursar em uma cerimônia em memória de um advogado encontrado morto.

“Foi condenada a seis anos de prisão por reunião e conspiração para cometer crimes”, afirmou Nili em uma publicação na rede social X, acrescentando que a ativista também foi proibida de deixar o país por um período de dois anos.

Além da nova condenação, Narges já havia sido sentenciada em outro processo a 18 meses de prisão por “atividades de propaganda” e a dois anos de exílio na cidade de Khosf, na província de Khorasan do Sul, no leste do país, conforme explicou o advogado.

Segundo a legislação iraniana, as penas de prisão não podem ser cumpridas de forma consecutiva. A decisão mais recente ainda pode ser alvo de recurso judicial.

Mostafa Nili afirmou estar esperançoso que o estado de saúde debilitado de Mohammadi possibilite sua liberação temporária. Ele disse acreditar que ela possa ser “libertada sob fiança para tratamento médico”.

Em dezembro de 2024, a ativista já havia sido liberta por três semanas por razões médicas relacionadas com “a sua condição física após a remoção de um tumor e de um enxerto ósseo”, recordou o advogado.

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Fonte:https://bznoticias.com.br/noticia/tribunal-do-ira-condena-narges-mohammadi-a-mais-sete-anos-e-meio-de-prisao

Socialista Antônio Seguro é eleito presidente de Portugal

09.02.2026

Do portal da Agência Brasil

Com 3 milhões de votos, ele derrotou o candidato de extrema-direita

O socialista Antônio José Seguro foi eleito hoje (8) novo presidente de Portugal, ultrapassando a barreira de 3 milhões de votos. Ele derrotou o candidato da extrema-direita André Ventura, no segundo turno das eleições portuguesas. 

Com mais de 11 milhões de cidadãos aptos a votar, Seguro tinha conseguido, até as 21h30 (horário local), mais de 3,3 milhões de votos. Seu adversário, André Ventura, tinha obtido 1,6 milhão de votos, e a abstenção estava próxima dos 50%.

Apenas outras quatro vezes desde 1976 um presidente da República foi eleito com mais de 3 milhões de votos no país, sendo Mário Soares o único a consegui-lo por duas vezes. Na primeira eleição, em 1986, as únicas até hoje a terem um segundo turno, o histórico líder socialista obteve 3.010.756 de votos (51,18%) frente a Freitas do Amaral. Na reeleição, em 1991, 3.459.521 eleitores votaram em Soares, que venceu com expressivos 70,35%, uma percentagem que ainda hoje figura como a maior já registrada nas eleições portuguesas.

Antônio Ramalho Eanes também foi reeleito com mais de 3 milhões de votos (3.262.520, ou 56,44%) em 1980, enquanto Jorge Sampaio recebeu 3.035.056 milhões de votos (53,91%) na sua primeira eleição, em 1996.

Esta foi a 11ª vez que os portugueses foram às urnas escolher o presidente da República durante períodos democráticos, desde 1976.

Eleito em 2016, o atual residente de Portugal é Marcelo Rebelo de Sousa, que termina o seu mandato em março de 2026.

Desde 1976, foram eleitos António Ramalho Eanes (1976-1986), Mário Soares (1986-1996), Jorge Sampaio (1996-2006), Cavaco Silva (2006-2016) e Marcelo Rebelo de Sousa (2016-2026).

*Com informações da Agência Lusa

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Fonte:https://agenciabrasil.ebc.com.br/internacional/noticia/2026-02/socialista-antonio-seguro-e-eleito-presidente-de-portugal

15 janeiro 2026

O Imperativo da Transformação: Estratégias de Vanguarda para a Perenidade das Autogestões em Saúde

15.01.2026

Publicado por Irineu Messias

O setor de saúde suplementar no Brasil atravessa um período de reconfiguração sem precedentes, onde as operadoras de autogestão ocupam uma posição de centralidade social, mas sob uma pressão econômica extrema. Enquanto o mercado geral registrou lucro líquido recorde em 2024, o segmento de autogestão divergiu frontalmente, apresentando um prejuízo operacional de R$ 2,1 bilhões no mesmo período. Este cenário exige uma transição do modelo reativo para o estratégico, fundamentado no que chamo de "quadrilátero da sustentabilidade": modernização regulatória, eficiência tecnológica, novos modelos de remuneração e gestão baseada em Atenção Primária.

1. A Crise Demográfica e a "Tempestade" do Mutualismo

As autogestões operam sob o princípio do mutualismo puro, onde a instituição assume integralmente o risco da operação assistencial sem visar lucro, revertendo excedentes para a melhoria dos serviços. Contudo, essa natureza torna as operadoras extremamente sensíveis a variações de custos.

O maior desafio é demográfico: as autogestões funcionam como um "laboratório antecipado" do envelhecimento populacional, com uma média de 26% a 27% de beneficiários acima de 60 anos — um perfil que o restante do país só atingirá em 2033. Este envelhecimento eleva a frequência de uso e a complexidade dos casos, levando a sinistralidades que frequentemente ultrapassam 90%, deixando margens inferiores a 10% para custos administrativos e inovação.

2. Modernização Regulatória e a Oxigenação da Carteira

A rigidez do conceito de "grupo fechado", imposta historicamente pela RN 137, dificultava a entrada de vidas mais jovens para equilibrar o risco atuarial. A recente aprovação da Resolução Normativa nº 649/2025 pela ANS oferece o "oxigênio" necessário para o setor.

As novas regras permitem a inclusão de familiares até o 4º grau de parentesco e a associação de empresas de ramos diversos para formar ou integrar autogestões. Essa flexibilização visa reduzir o custo regulatório e promover a "oxigenação" das carteiras, permitindo que a solidariedade e a eficiência coexistam de forma sustentável.

3. APS e Prevenção como Eixos de Controle de Custos

A transição da "gestão da doença" para a "gestão da saúde" é o mecanismo mais eficaz para racionalizar a utilização do sistema. A Atenção Primária à Saúde (APS) atua como ordenadora da rede, sendo capaz de resolver até 85% dos problemas de saúde sem encaminhamentos desnecessários.

• Impacto Financeiro: planos que investem em prevenção conseguem reduzir em até 35% os custos relacionados a internações hospitalares.

• Coordenação do Cuidado: A eficiência da APS evita a fragmentação do tratamento e exames redundantes. Na CASSI, por exemplo, estima-se que se a população coordenada pela APS tivesse o perfil de consumo dos demais beneficiários, a despesa assistencial seria onerada em mais de R$ 300 milhões anualmente.

• Verticalização: A integração com recursos próprios, como as CliniCASSI, elimina intermediários, reduz despesas de comercialização e permite a compra direta de insumos de alto custo (OPME), revertendo a economia para o próprio plano.

4. Inteligência Artificial e a Defesa do Caixa

A digitalização emergiu como o motor de eficiência indispensável para mitigar fraudes e desperdícios, que custam quase R$ 20 bilhões anuais ao setor de saúde no Brasil.

• Auditoria Inteligente: Agentes de IA podem automatizar de 30% a 60% das regulações médicas, identificando padrões de comportamento atípicos e fraudes em tempo real, como o fracionamento de recibos ou atendimentos fictícios.

• Resultados Tangíveis: Implementações tecnológicas têm demonstrado aumentos de até 200% no volume de contas auditadas, com um ROI (retorno sobre investimento) de até 9:1 em projetos antifraude.

• Monitoramento Preditivo: O uso de wearables (dispositivos vestíveis) e IA permite o monitoramento contínuo de pacientes crônicos, possibilitando intervenções precoces que evitam internações de alta complexidade em UTIs.

5. Da Fragmentação ao Valor: Novos Modelos de Pagamento

O modelo tradicional de Fee-for-Service (pagamento por volume) é amplamente identificado como indutor do desperdício. A migração para a Saúde Baseada em Valor (VBHC) busca recompensar desfechos clínicos que importam ao paciente em relação ao custo assistencial.

Modelos como Bundles (pagamento por episódio de cuidado) e Capitation (valor fixo por beneficiário) incentivam a coordenação entre prestadores e a previsibilidade financeira.
No entanto, essa transição exige transparência de dados e a cooperação entre operadoras e hospitais para que os riscos sejam compartilhados de maneira gradativa.

6. Judicialização e Estratégias de Colaboração

A judicialização tornou-se um gargalo severo para a previsibilidade, com quase 300 mil novos processos anuais. A estratégia tem migrado para a mediação pré-processual (NIP) e a consulta obrigatória ao NAT-JUS, buscando fundamentar decisões em evidências científicas e reduzir liminares baseadas em laudos frágeis.

Paralelamente, a "coopetição" (colaboração entre concorrentes) tem se fortalecido. A aliança entre gigantes como CASSI, Geap e Postal Saúde permite o compartilhamento de redes assistenciais e estruturas de APS, especialmente no interior do país. Esse compartilhamento aumenta o poder de negociação junto a prestadores e dilui custos administrativos, beneficiando diretamente o usuário final.

Conclusão: O Futuro do Mutualismo

As autogestões brasileiras encontram-se em um ponto de inflexão. O horizonte 2025-2030 será definido pela capacidade dessas operadoras de consolidar a eficiência digital sem perder o propósito humanizado que é a essência do modelo. A perenidade do mutualismo na saúde suplementar brasileira dependerá, portanto, de uma gestão que coloque a qualidade dos desfechos clínicos no centro da equação financeira.
Referências Bibliográficas
1. AGÊNCIA NACIONAL DE SAÚDE SUPLEMENTAR (ANS). Guia para Implementação de Modelos de Remuneração Baseados em Valor. Rio de Janeiro: ANS, 2019. (Referência fundamental para a transição do modelo Fee-for-Service para o VBHC)

2. CONSELHO NACIONAL DE JUSTIÇA (CNJ); PROGRAMA DAS NAÇÕES UNIDAS PARA O DESENVOLVIMENTO (PNUD). Diagnóstico da Judicialização da Saúde Pública e Suplementar. Brasília: CNJ, 2025. (Estudo técnico sobre o impacto dos NatJus e a racionalidade decisória no Judiciário).

3. ORGANIZAÇÃO PARA A COOPERAÇÃO E DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO (OCDE). Estudo da OCDE da Atenção Primária à Saúde no Brasil. Paris: OECD Publishing, 2021. (Documento que valida a APS como redutora de 45% das internações por condições sensíveis).

4. INSTITUTO DE ESTUDOS DE SAÚDE SUPLEMENTAR (IESS). Judicialização na Saúde Suplementar: Desafios Regulatórios e Caminhos para a Sustentabilidade do Setor até 2035. São Paulo: IESS, 2025. (Análise prospectiva sobre os custos de R$ 17,1 bilhões gerados pela judicialização).

5. PwC BRASIL. Prevenção e Detecção de Fraudes na Indústria da Saúde. São Paulo: PwC, 2024. (Relatório que quantifica as perdas por fraudes em R$ 20 bilhões anuais no Brasil e o papel da IA na mitigação desses riscos).

6. CASSI (Caixa de Assistência dos Funcionários do Banco do Brasil). Relatório Anual de Atividades e Demonstrações Contábeis: Exercício 2021. Brasília: CASSI, 2022. (Caso prático de autogestão que demonstra a economia de mais de R$ 300 milhões anuais através da coordenação do cuidado via APS)

7. MENDES, Eugênio Vilaça. O Cuidado das Condições Crônicas na Atenção Primária à Saúde: O Imperativo da Consolidação da Estratégia da Saúde da Família. Brasília: OPAS/OMS, 2012. (Obra de referência sobre a eficácia da APS na redução de até 35% dos custos de internação).

8. UPFLUX. Auditoria Médica: Saiba como a IA multiplica resultados e reduz fraudes!. Blog UpFlux, set. 2025. (Análise sobre o ROI de 9:1 em projetos de automação antifraude com Inteligência Artificial).

9. MAIDA HEALTH. Autogestões de Saúde: como funcionam, suas vantagens e desafios. Blog Maida Health, 2024. (Levantamento sobre a adoção de IA por apenas 38% das autogestões, destacando o gap de inovação no setor).

10. BRASIL. Ministério da Saúde. Resolução Normativa ANS nº 630/2025. (Normativa que estabelece as diretrizes para o uso ético e regulado da Inteligência Artificial na gestão assistencial e auditoria das operadoras).

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12 janeiro 2026

Um ano sem telas: avanços e desafios da lei que restringe celulares nas escolas

12.01.2026

Do portal do SENADO FEDERAL, 09.01.26

Por Henrique Nascimento

A lei que restringe o uso de celulares em escolas públicas e privadas, (originada do PL 4.932/2024), completa um ano de vigência no próximo dia 14 de janeiro, após aprovação no Congresso Nacional e sanção presidencial. A norma proíbe o uso dos aparelhos para fins recreativos, com exceções para atividades pedagógicas, acessibilidade e saúde, e passou a modificar a rotina escolar em todo o país, ao mesmo tempo, em que ainda enfrenta desafios de adaptação por parte de alunos, famílias e instituições de ensino.

O que antes era uma batalha individual de cada professor contra as telas, hoje é uma regra nacional. A lei que restringe o uso de celulares nas escolas vai completar um ano. 

Desde então vem transformando o barulho das notificações em conversas nos corredores, mas o caminho para a desconexão total ainda esbarra na cultura digital da nova geração.
Para muitos estudantes, o impacto foi imediato. Luana Fagundes conta que a adaptação não foi simples nos primeiros dias, mas acabou se tornando parte da rotina escolar.

(Luana Fagundes) “No começo, no primeiro dia, eu fiquei nervosa o dia inteiro, porque eu nunca tinha ficado assim sem. Fiquei assustada. Aí eu fui acostumando e assim, virou uma parte da minha rotina praticamente, né? Porque agora eu sei, parte da manhã eu não mexo.” Para a estudante Manuela Brito, a mudança também alterou a forma de convivência entre os alunos, especialmente nos momentos de recreio e atividades coletivas. (Manuela Brito) “Você tem do sexto ano até o terceiro ano do ensino médio. Todos esses anos, você passa todos os recreios, todos os dias letivos no celular. Então, assim, a gente não prestava muita atenção no interclasse. Depois que proibiu, a gente focou muito mais no que estava no nosso redor, ” Em entrevista à Rádio Senado, a psicóloga Aline Uchôa, especialista em crianças e adolescentes, alertou para os riscos emocionais associados ao uso excessivo do celular desde a infância. (Aline Uchôa) "Quando o contato começa muito cedo, a criança fica mais vulnerável a querer consumir cada vez mais. Elas acreditam que precisam daqueles certos itens dos jogos, por exemplo, para se divertir e muitas vezes até para se sentir aceitas por outras crianças. Como a mente infantil ainda está em formação, ela não consegue perceber que aquilo ali é apenas uma estratégia de marketing, por exemplo. A lei teve origem em um projeto de autoria do deputado federal Alceu Moreira, do MDB do Rio Grande do Sul. No Senado, a proposta foi relatada pelo senador Alessandro Vieira, do MDB de Sergipe, que defendeu a iniciativa com base em estudos internacionais sobre educação e tecnologia. (senador Alessandro Vieira) "Em dois mil e vinte e dois, a OCDE fez a avaliação justamente dessa disputa entre o celular e o aprendizado. Os achados foram os seguintes alunos, usuários de smartphones e outros dispositivos digitais por mais de cinco horas por dia se saíram pior na prova do que aqueles que passaram apenas uma hora ou alguma coisa em torno disso por dia. Quem usa menos assim obteve, na média da OCDE, quarenta e nove pontos a mais em matemática do que aqueles que passam muito mais tempo conectados."
A lei que restringe o uso de celulares nas escolas completa um ano de vigência no próximo dia catorze de janeiro. Com supervisão de Bruno Lourenço, da Rádio Senado, Henrique Nascimento. 
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Fonte: https://www12.senado.leg.br/radio/1/noticia/2026/01/09/um-ano-sem-telas-avancos-e-desafios-da-lei-que-restringe-celulares-nas-escolas

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