08 janeiro 2026

Lula veta integralmente PL da Dosimetria Presidente disse que condenados tiveram direito a ampla defesa

08.01.2026
Do portal da Agência Brasil
Por Paula Laboissière e Pedro Peduzzi – Repórteres da Agência Brasil

Presidente disse que condenados tiveram direito a ampla defesa

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva vetou integramente, nesta quinta-feira (8), o Projeto de Lei nº 2.162 de 2023, conhecido como PL da Dosimetria, aprovado em dezembro pelo Congresso Nacional. O texto prevê a redução de penas de condenados pelos atos antidemocráticos de 8 de janeiro e pela tentativa de golpe de Estado.

O anúncio foi feito durante ato, no Palácio do Planalto, que marca os três anos dos ataques perpetrados por manifestantes apoiadores de Bolsonaro que, inconformados com o resultado das eleições, invadiram o Congresso Nacional, o Palácio do Planalto e o Supremo Tribunal Federal (STF).

Todos eles tiveram amplo direito de defesa, foram julgados com transparência e imparcialidade. E, ao final do julgamento, condenados com base em provas robustas, e não com ilegalidades em série, meras convicções ou [apresentações de] Powerpoint fajutas”, disse Lula.

“Quero parabenizar a Suprema Corte pela conduta irrepreensível ao longo de todo esse processo. Julgou e condenou no estrito cumprimento da lei. Não se rendeu às pressões, não se amedrontou diante das ameaças. Não se deixou levar por revanchismo. Saiu fortalecida. Sua conduta certamente será lembrada pela história”, completou.

Ao citar o poeta hispano-americano George Santayana, Lula concluiu: “Aqueles que não conseguem lembrar o passado estão condenados a repeti-lo. Em nome do futuro, não temos hoje o direito de esquecer o passado. Por isso, não aceitamos nem ditadura civil nem ditadura militar. O que queremos é democracia emanada do povo e para ser exercida em nome do povo”.     

Com o veto, o projeto volta para o Congresso. 

Entenda

O PL da Dosimetria determina que os crimes de tentativa de acabar com o Estado Democrático de Direito e de golpe de Estado, quando praticados no mesmo contexto, implicarão no uso da pena mais grave em vez da soma de ambas as penas.

O foco do projeto é uma mudança no cálculo das penas, “calibrando a pena mínima e a pena máxima de cada tipo penal, bem como a forma geral de cálculo das penas”. O texto reduz também o tempo para progressão do regime de prisão de fechado para semiaberto ou aberto.

Tais mudanças poderiam beneficiar condenados pelo 8 de janeiro, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, além dos militares Almir Garnier, ex-comandante da Marinha; Paulo Sérgio Nogueira, ex-ministro da Defesa; Walter Braga Netto, ex-ministro da Casa Civil; e Augusto Heleno, ex-chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI).

O projeto de lei também reduziria o tempo de progressão de pena para alguns criminosos comuns, segundo especialistas ouvidos pela Agência Brasil.


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06 janeiro 2026

STF terá evento para lembrar 3 anos de atos golpistas de 8 de janeiro

06.01.2026

Do portal da Agência Brasil, 02.01.25

Por Lucas Pordeus León - Repórter da Agência Brasil

Programação relembra invasão das sedes dos poderes, em Brasília

O Supremo Tribunal Federal (STF) promove, no próximo dia 8 de janeiro, em Brasília, evento para relembrar os atos golpistas de três anos atrás, quando alguns milhares de apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro - exigindo um golpe militar - invadiram e depredaram prédios dos poderes na capital da República.  

Para marcar a data, a Suprema Corte realiza o evento “Democracia Inabalada: 8 de janeiro – Um dia para não esquecer”. A programação inclui a abertura de uma exposição, a exibição de um documentário, uma roda de conversa com jornalistas e uma mesa de debate.

No início da tarde de 8 de janeiro haverá a abertura da exposição “8 de janeiro: Mãos da Reconstrução”, a ser exibida no Espaço do Servidor, no STF.

Em seguida, será exibido o documentário “Democracia Inabalada: Mãos da Reconstrução” no Museu do próprio tribunal.

A programação segue com uma roda de conversa com profissionais da imprensa sobre o tema, também no Museu do STF, e finaliza com a mesa-redonda “Um dia para não esquecer”, no salão nobre do Supremo.

Golpe de Estado

Ao lembrar os dois anos do 8 de janeiro, neste ano, o presidente do STF, ministro Edson Fachin, afirmou que os atos golpistas foram a “face visível” de um movimento “subterrâneo” que articulava um golpe de Estado.

“Relembrar esta data, com a gravidade que o episódio merece, constitui, também, um esforço para virarmos a página, mas sem arrancá-la da história”, frisou Fachin durante cerimônia que lembrou os dois anos do 8 de janeiro.

Atos golpistas

Logo após o resultado da eleição ser divulgada em 30 de outubro de 2022, teve início um movimento pedindo um golpe militar para impedir que o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva assumisse o cargo.

 Houve fechamento de rodovias e acampamentos golpistas foram montados em frente aos quartéis em várias cidades do país.

Marcaram também a escalada de atos golpistas a implantação de uma bomba próxima ao Aeroporto Internacional de Brasília, na véspera do Natal, e a invasão de uma delegacia da Polícia Federal (PF) após a queima de ônibus no dia da diplomação de Lula, também em Brasília.

Após investigações sobre esses atos, o STF condenou o ex-presidente Jair Bolsonaro e aliados próximos por tentativa de golpe de Estado e outros delitos, responsabilizando o ex-presidente por uma conspiração contra o resultado eleitoral com objetivo de permanecer no poder após a derrota em 2022.

Segundo a condenação, Bolsonaro tentou convencer os comandantes militares a aderirem a um golpe de Estado para anular as eleições.  

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-01/stf-faz-evento-para-lembrar-3-anos-de-atos-golpistas-de-8-de-janeiro

 

Jeffrey Sachs Defende Soberania da Venezuela e Critica Intervenções dos EUA na ONU

06.01.2026

Em um pronunciamento impactante durante uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, realizada na segunda-feira (5), o economista Jeffrey Sachs, presidente da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, denunciou o histórico de intervenções dos Estados Unidos e reforçou a soberania da Venezuela. Ele argumentou que o foco do debate deveria ser a legalidade da força e da coerção imposta por um Estado-membro sobre o futuro político de outro, em vez do carácter do governo venezuelano.


Sachs destacou que intervenções para promover mudanças de regime são uma prática recorrente na política externa norte-americana desde o pós-guerra, contrária à Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política dos Estados. Ele citou dados da cientista política Lindsey O’Rourke, afirmando que os EUA tentaram pelo menos 70 operações de mudança de regime entre 1947 e 1989, e observou que esse padrão persistiu após a Guerra Fria.


O economista lembrou ações dos EUA, como as intervenções no Iraque em 2003, na Líbia em 2011, na Síria a partir de 2011, em Honduras em 2009, na Ucrânia em 2014, e na Venezuela desde 2002. Ele listou métodos comuns nessas iniciativas, desde guerras abertas até manipulações políticas e sanções econômicas, que resultam em impacto humanitário devastador.


Tratando especificamente da Venezuela, Sachs apontou que a ingerência dos EUA é evidente e contínua, traçando uma linha do tempo que começou com a aprovação de uma tentativa de golpe em 2002 e continuou com o financiamento de grupos opositores. Ele lembrou a classificação da Venezuela por Barack Obama como uma "ameaça incomum e extraordinária" e as discussões sobre uma possível invasão militar durante o governo de Donald Trump.


Entre 2017 e 2020, as sanções à estatal petrolífera venezuelana resultaram em uma queda de 75% na produção de petróleo e uma queda de 62% no PIB per capita. Sachs também enfatizou que, somente a Assembleia Geral da ONU pode aprovar sanções, reafirmando que ações unilaterais dos EUA violam o direito internacional.


Ele mencionou a situação de janeiro de 2019, quando os EUA reconheceram Juan Guaidó como "presidente interino" e congelaram ativos venezuelanos. Para Sachs, essas ações fazem parte de um esforço contínuo de mudança de regime que se arrasta há mais de duas décadas.


Ampliando a análise, Sachs observou que, no último ano, os EUA realizaram bombardeios em sete países sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, incluindo a Venezuela. Ele criticou as ameaças diretas feitas por Trump a várias nações-membros da ONU, reafirmando que a reunião do Conselho não deveria ser sobre Maduro, mas sobre a defesa do direito internacional.


Sachs recorreu à teoria realista das relações internacionais, advertindo que a falha da Liga das Nações nos anos 30 deve servir de alerta para a ONU, que surgiu com o objetivo de impor a lei sobre a anarquia internacional. Ele concluiu com um apelo à urgência de adotar medidas, incluindo a cessação de ameaças e ações militares contra a Venezuela, o fim do bloqueio naval, e a nomeação de um enviado especial para buscar soluções diplomáticas.


"Paz e a sobrevivência da humanidade dependem de saber se a Carta das Nações Unidas continuará sendo um instrumento válido do direito internacional", concluiu Sachs, reiterando a necessidade de proteger a relevância da ONU em tempos de crescente tensão global.

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