19 fevereiro 2026

Neonazista acusado de ordenar ataque que matou brasileira começa a ser julgado em Portugal

19.02.2026

Do portal BRASIL247

Português é apontado como mentor virtual de massacres no Brasil e responderá por incentivo a homicídios, crimes de ódio e exploração ilegal online

Em 23 de outubro de 2023, um adolescente brasileiro anunciou dentro do grupo que realizaria um ataque na Escola Estadual Sapopemba, na zona leste de São Paulo. O atentado terminou com a morte da estudante Giovanna Bezerra da Silva, de 17 anos, baleada à queima-roupa, além de deixar outros três alunos feridos.

O crime foi transmitido ao vivo em perfis ligados ao grupo virtual, reforçando a suspeita de coordenação direta do mentor estrangeiro.

Influência considerada decisiva

O Ministério Público de Portugal sustenta que o autor do ataque não teria capacidade de planejar sozinho a ação. Para os promotores, a influência exercida por Miguel Ângelo foi determinante para a execução do crime.

O julgamento envolve acusações de incentivo a sete crimes de homicídio — um consumado e outros seis na forma de tentativa ou planejamento. Três ataques adicionais teriam sido evitados após autoridades brasileiras interceptarem mensagens suspeitas. Além disso, o réu responde por associação criminosa, pornografia envolvendo menores, apologia à violência, maus-tratos a animais e incitação ao ódio e ao suicídio.

Cooperação internacional

As investigações foram conduzidas em parceria entre a Polícia Judiciária de Portugal e a Polícia Federal, que compartilharam provas digitais e rastreamento de atividades online consideradas essenciais para a acusação. Em comunicado anterior, a Unidade Nacional de Contraterrorismo da Polícia Judiciária afirmou: “Através de ideias violentas e extremistas, dava conselhos quanto ao modus operandi (...) na preparação e prática dos crimes. Foi na sequência destes comportamentos que veio o ataque numa escola de Sapopemba, resultando na morte de uma jovem de 17 anos”. Segundo a autoridade portuguesa, a investigação teve caráter urgente para identificar e interromper atividades virtuais que incentivavam atentados e radicalização juvenil.

Estratégia da defesa e impacto do caso

A defesa do acusado deve contestar parte das provas produzidas no Brasil, argumentando sobre a validade jurídica de elementos obtidos fora do território português. O julgamento deverá analisar principalmente o grau de responsabilidade criminal de influenciadores digitais em crimes cometidos por terceiros.

O processo ocorre em meio ao aumento de crimes de ódio e à preocupação crescente com a atuação de grupos extremistas online na Europa e na América Latina. Especialistas apontam que o caso pode estabelecer precedentes sobre responsabilização penal por radicalização digital e incitação indireta à violência.

Enquanto o julgamento avança, familiares da vítima e autoridades brasileiras acompanham o desfecho do processo, visto como um dos mais emblemáticos envolvendo terrorismo doméstico, extremismo virtual e cooperação internacional contra crimes digitais

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Fonte:  https://www.brasil247.com/mundo/neonazista-acusado-de-ordenar-ataque-que-matou-brasileira-comeca-a-ser-julgado-em-portugal

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