06 janeiro 2026

Jeffrey Sachs Defende Soberania da Venezuela e Critica Intervenções dos EUA na ONU

06.01.2026

Em um pronunciamento impactante durante uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança da ONU, realizada na segunda-feira (5), o economista Jeffrey Sachs, presidente da Rede de Soluções para o Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, denunciou o histórico de intervenções dos Estados Unidos e reforçou a soberania da Venezuela. Ele argumentou que o foco do debate deveria ser a legalidade da força e da coerção imposta por um Estado-membro sobre o futuro político de outro, em vez do carácter do governo venezuelano.


Sachs destacou que intervenções para promover mudanças de regime são uma prática recorrente na política externa norte-americana desde o pós-guerra, contrária à Carta das Nações Unidas, que proíbe o uso da força contra a integridade territorial e a independência política dos Estados. Ele citou dados da cientista política Lindsey O’Rourke, afirmando que os EUA tentaram pelo menos 70 operações de mudança de regime entre 1947 e 1989, e observou que esse padrão persistiu após a Guerra Fria.


O economista lembrou ações dos EUA, como as intervenções no Iraque em 2003, na Líbia em 2011, na Síria a partir de 2011, em Honduras em 2009, na Ucrânia em 2014, e na Venezuela desde 2002. Ele listou métodos comuns nessas iniciativas, desde guerras abertas até manipulações políticas e sanções econômicas, que resultam em impacto humanitário devastador.


Tratando especificamente da Venezuela, Sachs apontou que a ingerência dos EUA é evidente e contínua, traçando uma linha do tempo que começou com a aprovação de uma tentativa de golpe em 2002 e continuou com o financiamento de grupos opositores. Ele lembrou a classificação da Venezuela por Barack Obama como uma "ameaça incomum e extraordinária" e as discussões sobre uma possível invasão militar durante o governo de Donald Trump.


Entre 2017 e 2020, as sanções à estatal petrolífera venezuelana resultaram em uma queda de 75% na produção de petróleo e uma queda de 62% no PIB per capita. Sachs também enfatizou que, somente a Assembleia Geral da ONU pode aprovar sanções, reafirmando que ações unilaterais dos EUA violam o direito internacional.


Ele mencionou a situação de janeiro de 2019, quando os EUA reconheceram Juan Guaidó como "presidente interino" e congelaram ativos venezuelanos. Para Sachs, essas ações fazem parte de um esforço contínuo de mudança de regime que se arrasta há mais de duas décadas.


Ampliando a análise, Sachs observou que, no último ano, os EUA realizaram bombardeios em sete países sem a autorização do Conselho de Segurança da ONU, incluindo a Venezuela. Ele criticou as ameaças diretas feitas por Trump a várias nações-membros da ONU, reafirmando que a reunião do Conselho não deveria ser sobre Maduro, mas sobre a defesa do direito internacional.


Sachs recorreu à teoria realista das relações internacionais, advertindo que a falha da Liga das Nações nos anos 30 deve servir de alerta para a ONU, que surgiu com o objetivo de impor a lei sobre a anarquia internacional. Ele concluiu com um apelo à urgência de adotar medidas, incluindo a cessação de ameaças e ações militares contra a Venezuela, o fim do bloqueio naval, e a nomeação de um enviado especial para buscar soluções diplomáticas.


"Paz e a sobrevivência da humanidade dependem de saber se a Carta das Nações Unidas continuará sendo um instrumento válido do direito internacional", concluiu Sachs, reiterando a necessidade de proteger a relevância da ONU em tempos de crescente tensão global.

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