31 março 2026

TRE-RJ marca para terça recontagem de votos após cassação de Bacellar

31.03.2026

Do portal da Agência Brasil, 26.03.26

Por Douglas Corrêa - Repórter da Agência Brasil 

Distribuição de vagas na Alerj deverá sofrer mudanças 

O presidente do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), Claudio de Mello Tavares, marcou para a próxima terça-feira (31), às 15h, sessão que irá recontar os votos para o cargo de deputado estadual nas eleições de 2022.

A medida é para cumprir decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cassou o deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

Com a cassação, os 97.822 votos recebidos por Bacellar serão anulados, o que impacta na composição da Alerj, já que a distribuição de vagas entre partidos e federações deverá ser alterada. 

Rodrigo Bacellar foi cassado por destinação de recursos da Fundação Fundação Centro Estadual de Estatísticas, Pesquisas e Formação de Servidores Públicos do RJ (Ceperj) com fins eleitorais. No mesmo dia, o TSE tornou inelegíveis o ex-governador Cláudio Castro e o então presidente da Ceperj Gabriel Rodrigues Lopes.

Mais cedo, a presidente em exercício do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro, desembargadora Suely Lopes Magalhães, anulou a votação da Alerj que elegeu o deputado Douglas Ruas (PL) como presidente da Casa nesta quinta-feira (26).

Na decisão, a magistrada considerou que o processo eleitoral na Alerj só poderia ser deflagrado após a retotalização dos votos pelo TRE.

A desembargadora Suely Magalhães explicou que a retotalização dos votos é necessária para permitir que seja definida a composição oficial do colégio eleitoral da Alerj apto a participar do processo de escolha do novo presidente da Casa.

A presidente em exercício avaliou que a Mesa Diretora da Alerj acatou, em parte, a decisão do TSE, considerando, apenas, a vacância do cargo da presidência, após a cassação do mandato de Rodrigo Barcellar.

A magistrada ressaltou que o processo eleitoral deflagrado pela Mesa Diretora, sem o cumprimento integral da decisão do TSE, interfere, não só na escolha do novo presidente da Alerj, como, na definição de quem irá assumir interinamente o governo do estado, em razão da renúncia de Claudio Castro.

Entenda

Desde maio de 2025, o estado do Rio de Janeiro não tinha vice-governador, uma vez que Thiago Pampolha renunciou para assumir vaga de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado (TCE), aprovado pela própria Alerj. 

Com a manobra, o então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar, passou a ser o primeiro na linha sucessória.

No entanto, em 3 de dezembro de 2025, Bacellar foi preso pela Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investigou a ligação de políticos com o Comando Vermelho (CV), principal organização criminosa do estado.  

Por ordem do Supremo Tribunal Federal (STF), Bacellar foi afastado da presidência, mesmo depois de libertado da prisão.

Dessa forma, a Alerj passou a ser presidida, de forma interina, pelo deputado Guilherme Delaroli (PL). Mas, por causa da interinidade, Delaroli não ocupa lugar na linha sucessória.

Na segunda-feira (23), Cláudio Castro renunciou ao cargo, manifestando interesse em disputar uma vaga no Senado na eleição de outubro.

A manobra era vista também para escapar de uma eventual inelegibilidade, uma vez que enfrentava um julgamento no TSE por abuso de poder político e econômico na campanha à reeleição, em 2022. 

O julgamento terminou de forma desfavorável para Castro, com o TSE o considerando governador cassado e inelegível até 2030. 

A decisão também cassou e tornou inelegível o deputado estadual Rodrigo Bacellar, ex-secretário de governo de Castro.

Na mesma decisão, a Justiça Eleitoral determinou então que a Alerj realizasse eleições indiretas para o governo do estado.

Desde a renúncia de Castro, o comando do Executivo do Rio de Janeiro está sendo exercido interinamente pelo presidente do Tribunal de Justiça (TJ), Ricardo Couto de Castro.

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Fonte:https://agenciabrasil.ebc.com.br/politica/noticia/2026-03/tre-rj-marca-para-terca-recontagem-de-votos-apos-cassacao-de-bacellar

30 março 2026

Tráfico de africanos: países são desafiados a reparar escravização

30.03.2026
Do portal da AGÊNCIA BRASIL, 29.03.26
Por  Rafael Cardoso - Repórter da Agência Brasil 

Resolução da ONU reacende debate sobre responsabilidade dos Estados 


Uma resolução aprovada na última quarta-feira (25) pela Organização das Nações Unidas reacendeu disputas históricas e políticas sobre o tráfico de africanos escravizados, e as consequências do crime nos dias atuais.

O texto estabelece que os Estados-Membros devem considerar pedidos formais de desculpas por esse passado de violações e contribuir para a criação de um fundo internacional de reparação.

Liderado pela União Africana, documento teve a concordância de 123 países, incluindo o Brasil. Porém, teve três votos contrários, dos Estados Unidos, Argentina e Israel. Entre as 52 abstenções, se destacaram os países da União Europeia.

No centro do debate estão dois pontos sensíveis, criticados por Estados Unidos e União Europeia: a classificação da escravidão como o crime mais grave contra a humanidade e a responsabilização histórica a partir de medidas concretas de reparação.

 

Brasília (DF), 25/03/2026 - Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. Foto: ONU/Divulgação
Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade” - Foto: ONU/Divulgação

O pior dos crimes?

Na reunião da ONU, União Europeia e Estados Unidos criticaram a ideia de hierarquizar violações aos direitos humanos ao longo da história.

“A afirmação de que alguns crimes contra a humanidade são menos graves do que outros diminui objetivamente o sofrimento de inúmeras vítimas e sobreviventes de outras atrocidades ao longo da história. Isto não é uma competição”, diz um dos trechos da declaração estadunidense.

“Não existe hierarquia legal entre crimes contra a humanidade. Isso corre o risco de minimizar o dano sofrido por todas as vítimas desses crimes e carece de clareza jurídica crucial para garantir a responsabilização”, disseram os europeus.

resolução aprovada na ONU explica por que considera tráfico e escravidão de africanos crimes sem precedentes.

“Devido à ruptura definitiva na história mundial, à sua escala, duração, natureza sistêmica, brutalidade e consequências duradouras que continuam a estruturar a vida de todas as pessoas por meio de regimes racializados de trabalho, propriedade e capital”, diz um dos trechos.

RIO DE JANEIRO (RJ), 07/07/2023 - A historiadora e pesquisadora do Projeto Passados Presentes, Professora do PPGH/UFF e pesquisadora do PPGHS da FFP/UERJ, Martha Abreu durante seminário O caso do navio escravagista Camargo, no Arquivo Nacional. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A historiadora Martha Abreu é professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em memória da escravidão - Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil 

A historiadora Martha Abreu, professora da Universidade Federal Fluminense (UFF) e especialista em memória da escravidão, corrobora o texto da resolução.

“É, claro, um posicionamento político. Não se trata de desvalorizar outros crimes e genocídios, como o dos curdos e os massacres das populações indígenas na América. Mas entendo que tráfico e escravidão de africanos foram o maior crime contra a humanidade. Pelo número de pessoas retiradas da África, o longo tempo, as consequências e efeitos até hoje”, avalia Martha.

Segundo o banco de dados Slave Voyages, cerca de 12,5 milhões de africanos foram forçados a embarcar em navios negreiros entre 1517 e 1867. Desse total, aproximadamente 10,7 milhões sobreviveram à travessia do Atlântico e desembarcaram nas Américas.

A diretora executiva da Anistia Internacional, Jurema Werneck, pondera sobre as comparações, mas entende ser estratégico valorizar as lutas antiescravista e antirracista ao longo da história.

“Por um lado, acho que não é necessário hierarquizar sofrimentos e tragédias. Todos os crimes contra a humanidade possuem uma tragédia gigantesca por trás. Mas também vejo a importância de destacar a grandiosidade do mal produzido com a escravidão, como ponto de partida para garantir responsabilização e reparação”, diz Jurema.

Responsabilidades

Na ONU, a União Europeia não reconheceu, em nenhum momento, a responsabilidade do continente sobre o tráfico e a escravidão de africanos. Entre os séculos 16 e 19, Portugal, Espanha, Reino Unido, França, Holanda e Dinamarca foram potências escravistas.

O bloco disse “saudar a iniciativa” da União Africana. Defendeu a escravidão como uma “tragédia sem paralelos”, que “não deve ser esquecida”. Também reforçou a permanência, nos dias atuais, de “disparidades” que impedem participação igualitária dos afrodescendentes na sociedade. Porém, os europeus argumentaram que normas internacionais atuais não podem ser aplicadas para períodos passados.

“O princípio da não retroatividade, pedra angular fundamental da ordem jurídica internacional, deve ser rigorosamente respeitado. As referências a pedidos de reparação também carecem de fundamento jurídico sólido”, diz a nota.

Os Estados Unidos chamaram de cinismo a tentativa de usar “recursos modernos para pessoas e nações que têm pouca ou nenhuma relação com as vítimas históricas”.

 

Brasília (DF), 25/03/2026 - Assembleia Geral da ONU adota resolução para o reconhecimento do tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade”. Foto: ONU/X
Placar de votação da resolução da ONU que reconhece o tráfico transatlântico de escravos como “o crime mais grave contra a humanidade” - Foto: ONU/X

A historiadora Martha Abreu contesta os argumentos. “Essa suposta incompatibilidade legal não se sustenta. Ao longo do século 19, há uma série de legislações proibindo o tráfico de escravizados. Várias nações do mundo assinam tratados nesse sentido, que não são respeitados. Então, já havia, naquela época, uma violação da lei”, explica a historiadora.

“Também não faz sentido desvincular presente do passado. De onde vem parte da riqueza dos países europeus? Da exploração do tráfico e da escravidão. E a pobreza que atinge vários países da África e a população negra? Há uma continuidade histórica que explica essas questões. Os problemas não se encerram no passado”, complementa Martha.

Para isentar os Estados atuais de responsabilidade com o passado, uma linha revisionista – estimulada principalmente por setores da extrema-direita – vai além: culpa os africanos, em igual medida aos europeus, pelo tráfico de escravos. A historiadora explica que a comparação não faz o menor sentido.

“É evidente que houve africanos que se envolveram no tráfico. Mas o volume disso é completamente inexpressivo frente ao que foi a chegada dos europeus na África. É impossível comparar responsabilidades, quando medidos o impacto, a interferência e a violência dos europeus”, diz Martha.

“Havia escravidão na África, mas sem volume e poder de aniquilação da vida e da memória dos povos. Europeus fomentaram guerras na África, levaram milhões para a escravidão do outro lado do Atlântico. E continuaram a impactar a África no século seguinte com o imperialismo e a colonização”, complementa.

Reparação

A resolução da ONU estabelece a necessidade de um sistema de justiça reparatória. Países africanos e caribenhos defendem a estruturação de um fundo internacional para financiar projetos de desenvolvimento, educação e saúde em nações afetadas pelo tráfico transatlântico. Nesse sentido, a ONU deve trabalhar em metodologias para quantificar os danos históricos.

Rio de Janeiro (RJ), 05/03/2024 – A diretora-executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck, durante ato que pede justiça para o caso do adolescente Johnatha, morto por um policial militar do Rio de Janeiro.  Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil
A diretora executiva da Anistia Internacional Brasil, Jurema Werneck - Foto: Tomaz Silva/Arquivo/Agência Brasil

Quando se fala em reparação, também são lembradas as responsabilidades das elites locais nas Américas e dos Estados independentes que mantiveram a escravidão como elemento central de suas sociedades, casos dos Estados Unidos e do Brasil.

“Há que se reforçar que boa parte da elite brasileira atual tem, na origem da sua riqueza, a espoliação de africanos afrodescendentes. A reparação oferece para países e sociedades a possibilidade de construção de uma outra humanidade, que seja capaz de enfrentar o racismo e produzir igualdade. Porque a gente ainda está longe disso”, disse Jurema Werneck.

No Brasil, o plenário da Câmara dos Deputados deve votar em breve a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 27/2024. O texto já foi aprovado nas comissões especiais da Casa. A PEC estabelece a criação do Fundo Nacional de Reparação Econômica e de Promoção da Igualdade Racial.

Os recursos do fundo viriam de empresas que lucraram com a escravidão e doações internacionais. Também está prevista a aplicação, pela União, de R$ 20 bilhões nos próximos 20 anos em projetos voltados para a promoção cultural, social e econômica da população negra brasileira.

“O crime contra a humanidade não vai ser reparado nunca. Essa cicatriz a gente vai carregar para sempre. O que aconteceu com os nossos antepassados foi muito grave e não tem volta. Por outro lado, é um gesto político e simbólico importante que países e populações façam essa reparação histórica para a população negra”, defende Jurema.

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Fonte:https://agenciabrasil.ebc.com.br/direitos-humanos/noticia/2026-03/trafico-de-africanos-paises-sao-desafiados-a-reparar-escravizacao

27 março 2026

Por 8 votos a 2, STF derruba prorrogação da CPMI do INSS

27.03.2026

Do portal AGÊNCIA BRASIL, 26.03.26

Por André Richter - Repórter da Agência Brasil 

Apenas Mendonça e Fux votaram pelo aumento do prazo 

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta quinta-feira (26) derrubar a decisão do ministro André Mendonça que determinou a prorrogação da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS.

Com a decisão, os trabalhos da comissão deverão ser encerrados no próximo sábado (28).

A votação foi finalizada com placar de 8 votos a 2 contra a prorrogação.

Na última segunda-feira (23), Mendonça, que é relator do caso, deu prazo de 48 horas para o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União - AP), fazer a leitura do requerimento de prorrogação dos trabalhos da CPMI. 

O ministro atendeu ao pedido de liminar feito pelo presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG). Segundo o senador, há omissão de Alcolumbre e da Mesa Diretora ao não receberem o requerimento de prorrogação. 

Em seguida, Mendonça enviou o caso para referendo do plenário da Corte. 

Mais cedo, diante da inércia de Alcolumbre, Viana cumpriu a decisão individual do ministro e prorrogou a CPMI por até 120 dias. 

Votos 

O primeiro voto do julgamento foi proferido por Mendonça. O ministro reafirmou seu entendimento favorável à prorrogação pelo prazo de 60 dias.

Mendonça citou que o requerimento de prorrogação da CPMI preencheu os requisitos legais, como o número mínimo de 27 assinaturas de senadores e de 171 deputados. Dessa forma, segundo o ministro, deve ser garantido o direito da minoria política, formada pela oposição, à prorrogação da comissão.

O voto pela prorrogação foi seguido pelo ministro Luiz Fux. 

Os ministros Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes foram os primeiros a se manifestar contra a prorrogação e criticaram o vazamento de conversas íntimas encontradas nos celulares do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, alvo da CPMI.

Mendes criticou o vazamento ao se dirigir ao senador Carlos Viana, que acompanhou o julgamento presencialmente. 

“Deplorável que quebrem sigilo e divulguem, vazem. Abominável”, afirmou.

Em seguida, Moraes disse que o vazamento das conversas é “criminoso”.

O entendimento contrário à prorrogação também foi seguido pelos ministros Flávio Dino, Cristiano Zanin, Nunes Marques, Dias Toffoli, Cármen Lúcia e Edson Fachin. 

Investigação 

A CPMI iniciou os trabalhos em agosto de 2025 e passou a investigar os descontos indevidos nos benefícios de aposentados e pensionistas do INSS. 

No decorrer das sessões, a comissão também passou a apurar as supostas ligações do Banco Master com a concessão irregular de empréstimos consignados a aposentados.

Nas últimas semanas, a CPMI foi acusada de vazar conversas pessoais do banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Master. Os dados estavam em celulares que foram apreendidos pela Polícia Federal e repassados à comissão após autorização do ministro André Mendonça, relator do caso no STF. 

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-03/por-8-votos-2-stf-derruba-prorrogacao-da-cpmi-do-inss

26 março 2026

A Era da Fiscalização Proativa: Como a RN 666/26 Redefine a Governança no Setor Suplementar

26.03.2026

Postado pelo editor blog

A ANS publicou em 13 de março de 2026 a RN nº 666, que inicia a transição para um novo modelo de fiscalização do setor secundário, para a identificação de irregularidades administrativas de natureza assistencial que sejam graves.

Ao contrário do modelo punitivo clássico, esta norma estabelece a visita técnico-assistencial, em que a agência atua de maneira mais preventiva e orientada, mas com um foco mais específico na detecção de falhas estruturais que afetam os beneficiários.

Principais consequências para as operadoras

Visitas Técnicas Antecipadas e Presenciais: A norma estabelece a visita técnica como instrumento para identificar "anormalidades graves". Ou seja, as operadoras serão fiscalizadas não apenas por dados (como o DIOPS), mas também por meio de avaliações in loco que verificam a veracidade da operação assistencial.

Governança Assistencial em Primeiro Lugar: A RN 666/26 exige das operadoras a necessidade de ajustar seus processos de atendimento e cumprir as normas de qualidade condicional estabelecidas pela ANS. Defeitos sistêmicos na rede oferecida ou perdas indevidas que se manifestem de forma recorrente podem ser considerados como uma anormalidade grave, a qual pode levar à adoção de ações corretivas ou de orientação técnica."

Preparação para o Novo Modelo de Supervisão: A norma integra um conjunto de disposições que se tornarão plenamente ativas em maio de 2026, com o objetivo de implementar uma supervisão fundamentada em riscos. As empresas devem regularizar imediatamente eventuais falhas operacionais para evitar relatórios negativos nas visitas de supervisão.

Transparência e Responsabilidade: O modelo deixa claro que as operadoras devem demonstrar, de forma transparente, como gerenciar seus sinistros e o acesso aos procedimentos; caso contrário, estarão sujeitas a serem expostas em painéis de monitoramento de reclamações mais rigorosas.

Quais são as mudanças práticas?

Até aquele momento, muitas inspeções eram realizadas de forma reativa (ou seja, em resposta a queixas específicas). Com a RN 666/26, busca-se fortalecer as ações para agir de forma preventiva, antes que uma operadora enfrente um colapso financeiro ou assistencial, concentrando-se na conduta administrativa que causa prejuízos ao consumidor.

23 março 2026

Declaração do Imposto de Renda 2026 já pode ser enviada

23.03.2026
Do portal da Agência Brasil
Por Wellton Máximo - Repórter da Agência Brasil 

Entrega vai até 29 de maio; Fisco espera receber 44 mi de documentos

Os contribuintes podem acertar as contas com o Leão. Começa às 8h desta segunda-feira (23) o envio da Declaração do Imposto de Renda Pessoa Física 2026 (ano-base 2025).

O prazo de entrega vai até 29 de maio, às 29h59min59s. Neste ano, o Fisco espera receber cerca de 44 milhões de declarações.

O Programa Gerador da Declaração pode ser baixado desde as 18h de quinta-feira (19). A partir desta segunda, o contribuinte também pode usar o site Meu Imposto de Renda, que permite o preenchimento online da declaração.

Neste ano, o prazo de entrega será mais curto que nos anos anteriores. Tradicionalmente, o envio das declarações começa em 15 de março ou no primeiro dia útil seguinte. Em 2026, no entanto, o Fisco adiou o início em uma semana.

Novidades

Entre as novidades da declaração deste ano estão mudanças na restituição, novas exigências para ganhos com apostas online e a possibilidade de uso de nome social na declaração.

Também haverá um cashback para pequenos contribuintes, com restituições automáticas a quem teve imposto retido na fonte no ano passado, mas ficou isento da declaração.

Principais mudanças

Nome social: contribuintes poderão informar nome social na declaração.

Dados de diversidade: formulário terá campo para informar raça e cor do titular e dos dependentes.

Declaração pré-preenchida: ficará disponível desde o primeiro dia do prazo, com mais informações automáticas.

Restituição em quatro lotes: pagamento ocorrerá em quatro etapas, e não mais em cinco.

Prioridade digital: quem usar declaração pré-preenchida e Pix terá prioridade no recebimento.

Cashback do IR

Uma das principais novidades é a criação de um “cashback” de restituição.

A medida permitirá que contribuintes isentos de declarar, mas que tiveram imposto retido na fonte, recebam automaticamente valores a que têm direito.

Principais pontos:

pagamento em lote especial em 15 de julho;

estimativa de 4 milhões de beneficiados;

restituição média de R$ 125;

valor máximo de R$ 1 mil;

previsão de R$ 500 milhões em pagamentos.

Quem terá direito

não estava obrigado a declarar em 2025;

tem restituição de até R$ 1 mil;

possui CPF regular e baixo risco fiscal;

em chave Pix vinculada ao CPF.

Bets e apostas

A Receita também passou a exigir a declaração de ganhos com apostas online.

Devem informar os valores os contribuintes que:

tiveram ganhos acima de R$ 28.467,20 em bets ou loterias de quota fixa em 2025;

possuíam saldo superior a R$ 5 mil em contas de apostas em 31 de dezembro de 2025.

Esses valores devem ser informados na declaração e podem gerar cobrança de imposto, dependendo da situação do contribuinte.

Quem deve declarar

Deve enviar a declaração quem, em 2025:

recebeu rendimentos tributáveis acima de R$ 35.584;

recebeu rendimentos isentos ou tributados na fonte acima de R$ 200 mil;

teve ganho de capital na venda de bens ou direitos;

realizou operações em bolsa acima de R$ 40 mil ou com lucro tributável;

teve receita rural acima de R$ 177.920;

possuía bens ou direitos acima de R$ 800 mil em 31 de dezembro;

passou à condição de residente no Brasil em 2025;

possui investimentos ou estruturas financeiras no exterior, como trusts ou offshores.

Quem está dispensado

Ficam dispensados da declaração os contribuintes que:

não se enquadram nos critérios de obrigatoriedade;

tiveram rendimentos declarados pelo cônjuge ou companheiro, com bens próprios abaixo de R$ 800 mil;

constam como dependentes em declaração de outra pessoa.

Calendário da restituição

Com um lote a menos neste ano, a restituição será paga nas seguintes datas:

1º lote: 29 de maio de 2026;

2º lote: 30 de junho de 2026;

3º lote: 31 de julho de 2026;

4º lote: 28 de agosto de 2026.

A ordem de pagamento segue a data de entrega da declaração, respeitando prioridades legais.

Prioridade no pagamento

A ordem de prioridade definida pela legislação é:

idosos acima de 80 anos;

idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiência ou doença grave;

contribuintes cuja principal renda seja magistério;

quem usar declaração pré-preenchida e Pix simultaneamente;

quem usar apenas um desses recursos (pré-preenchida ou Pix);

demais contribuintes.

Quem entregar a declaração após 29 de maio terá que pagar multa de pelo menos R$ 165,74, podendo chegar a 20% do imposto devido.

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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/economia/noticia/2026-03/declaracao-do-imposto-de-renda-2026-ja-pode-ser-enviada

16 março 2026

A Epidemia Silenciosa das "Bets": Por que a Saúde Corporativa decidiu entrar em campo?

16.03.2026

Postado pelo editor do blog

O cenário urbano brasileiro ganhou uma nova moldura nos últimos anos: o brilho constante das telas de celulares exibindo plataformas de apostas online. O que começou como uma promessa de entretenimento e "ganho fácil" rapidamente escalou para um problema de saúde pública e, agora, tornou-se um desafio crítico para o RH e a gestão de pessoas.

Diante desse panorama, o Hospital Sírio-Libanês anunciou recentemente um projeto piloto pioneiro. O objetivo é claro, mas complexo: criar protocolos de identificação e tratamento para a dependência em apostas (ludopatia) dentro do ambiente corporativo.

O Cassino no Bolso e o Impacto no Crachá

A iniciativa do Sírio-Libanês não nasce ao acaso. Dados recentes mostram que o brasileiro está comprometendo uma parcela significativa de sua renda com as "bets". No entanto, o prejuízo financeiro é apenas a ponta do iceberg. Abaixo dela, esconde-se uma crise de saúde mental que atravessa o portão das empresas todos os dias.

O vício em jogos de azar é reconhecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) como um transtorno mental. No ambiente de trabalho, ele se manifesta de formas devastadoras:

  • Queda de Produtividade: O colaborador passa o tempo de trabalho monitorando odds e resultados.

  • Absenteísmo e Presenteísmo: O estresse financeiro gera ansiedade e depressão, levando a faltas ou à presença física sem qualquer foco nas tarefas.

  • Riscos de Segurança: Em cargos que exigem alta concentração, o cansaço mental causado pelo vício pode levar a acidentes.

  • Pressão Financeira: RHs têm relatado um aumento incomum em pedidos de adiantamento salarial e empréstimos consignados.

A Estratégia do Sírio-Libanês: Além do Tratamento Convencional

O diferencial do projeto piloto do Sírio-Libanês é a sua abordagem multidisciplinar e preventiva. O hospital compreendeu que, para tratar a ludopatia, não basta apenas o consultório psiquiátrico; é preciso uma rede de apoio estruturada que envolva:

  1. Rastreamento Precoce: Treinar lideranças e profissionais de RH para identificar sinais comportamentais antes que o colaborador chegue ao colapso financeiro ou emocional.

  2. Educação em Saúde Mental: Desmistificar o jogo como "investimento" e alertar para os mecanismos neuroquímicos que levam ao vício.

  3. Apoio Financeiro: Um dos pilares mais inovadores é a inclusão da saúde financeira no protocolo. O endividamento é o maior gatilho para a recaída; portanto, organizar a vida financeira é parte integrante da cura.

  4. Linha de Cuidado Especializada: Oferecer suporte psicológico e psiquiátrico focado especificamente em transtornos de impulso.

O Papel das Empresas na Nova Ordem Social

A movimentação do Sírio-Libanês marca uma mudança de paradigma na gestão de saúde populacional. Se antes as empresas focavam em check-ups físicos e ergonomia, hoje elas precisam olhar para os hábitos digitais e compulsões de seus funcionários.

Tratar o vício em apostas não é apenas uma questão de benevolência, mas de sustentabilidade do negócio. Um funcionário saudável mentalmente é mais resiliente, criativo e engajado. Por outro lado, ignorar a "epidemia das bets" é aceitar um dreno invisível de talento e recursos.

Conclusão

O projeto piloto do Sírio-Libanês é um chamado à responsabilidade para todo o ecossistema corporativo. À medida que as apostas online se tornam onipresentes, o cuidado com a saúde mental deve ser igualmente ágil e acessível.

A pergunta para as lideranças hoje não é mais "se" o vício em apostas está afetando sua equipe, mas sim "quão preparada" sua empresa está para oferecer o suporte necessário antes que o jogo se torne uma perda irreparável para todos.

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Leia mais:

Sírio-Libanês: Projeto testa teleatendimento para apoiar tratamento de transtorno do jogo

14 março 2026

Mpox no Brasil: Alerta e Monitoramento em 13 Estados

14.03.2026

Postado pelo editor do Blog

O avanço da Mpox em território brasileiro voltou a ocupar o centro das atenções das autoridades sanitárias no primeiro trimestre de 2026. Com registros confirmados em 13 unidades da federação, o Ministério da Saúde emitiu recomendações urgentes para conter a transmissão e evitar que o surto isolado se transforme em uma emergência de saúde pública de maior escala.
O Cenário Epidemiológico
Até março de 2026, o Brasil contabilizou 149 casos da doença, divididos entre 140 confirmações e 9 casos prováveis. O estado de São Paulo permanece como o epicentro da transmissão, registrando 93 ocorrências. Outros estados com casos confirmados incluem Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul, Paraná, Santa Catarina, Distrito Federal e Rondônia.
Apesar do número de casos, o perfil clínico da doença no país em 2026 é considerado leve a moderado, sem o registro de óbitos até o momento. No entanto, o volume de casos suspeitos em investigação — superior a 530 — acendeu o sinal de alerta para a necessidade de vigilância constante.
Transmissão e Sintomas
A Mpox é causada por um vírus e a transmissão ocorre principalmente pelo contato direto e prolongado com as lesões de pele de uma pessoa infectada. Isso inclui o contato íntimo e sexual, além do compartilhamento de objetos pessoais (roupas, toalhas e lençóis) e gotículas respiratórias.
Os principais sintomas que devem ser observados são:
  • Aparecimento súbito de erupções cutâneas (bolhas ou feridas), que podem ser dolorosas ou coçar.
  • Febre e calafrios.
  • Dores de cabeça e musculares.
  • Inchaço dos gânglios (ínguas) no pescoço, axila ou virilha.
Recomendações Urgentes do Ministério da Saúde
O Ministério da Saúde reforçou que a rapidez no diagnóstico é a principal ferramenta de controle. As diretrizes atuais incluem:
  1. Isolamento Imediato: Qualquer pessoa com lesões suspeitas deve permanecer em isolamento domiciliar até que todas as feridas tenham cicatrizado e formado uma nova camada de pele.
  2. Rastreamento de Contatos: Identificação e monitoramento de pessoas que tiveram contato próximo com infectados nos últimos 21 dias.
  3. Vacinação Direcionada: O foco da imunização permanece em grupos de alto risco e em pessoas que tiveram contato direto com casos confirmados (profilaxia pós-exposição).
  4. Higiene Rigorosa: Lavagem frequente das mãos e desinfecção de superfícies que possam estar contaminadas pelo vírus.
O Sistema Único de Saúde (SUS) está operando com capacidade total para realização de testes moleculares (PCR), garantindo que o sequenciamento genético seja feito para identificar possíveis novas variantes do vírus em circulação.
Fontes Consultadas:
  • Ministério da Saúde (Brasil): Boletins Epidemiológicos e Notas Técnicas de 2026(Página  sobre Mpox: gov.br/saude/mpox).
  • Organização Mundial da Saúde (OMS): Atualizações sobre Mpox e vigilância global.
  • Agência Brasil: Cobertura sobre a distribuição geográfica dos casos no território nacional.

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Nós e a notícia é um blog de notícias atuais