14 maio 2026

TCU e a Nova Fronteira da Contratualização Hospitalar: Rumo à Eficiência e ao Valor no SUS

14.05.2026

A recente aprovação do Acórdão 1504/2024 – Plenário pelo Tribunal de Contas da União (TCU) marca uma mudança de paradigma na fiscalização dos recursos públicos destinados à saúde. Ao aprovar um plano de ação detalhado para o levantamento da contratualização de serviços hospitalares no SUS, o Tribunal sinaliza que a era do controle meramente burocrático está dando lugar a uma gestão baseada em desfechos e inteligência de dados.

O Plano de Ação: Pilares para a Transformação

A decisão, proferida por unanimidade, estabelece uma estratégia multidimensional para enfrentar os 209 riscos potenciais identificados no macroprocesso de compra de serviços de saúde. O plano estrutura-se em quatro eixos fundamentais:

  1. Padronização e Auditoria Coordenada: A criação de um referencial técnico para auditorias garante que os contratos não sejam apenas peças administrativas, mas instrumentos que definam com clareza o perfil assistencial e as necessidades da população [173, Acórdão].
  2. Transparência Estrutural: O desenvolvimento de um repositório nacional de evidências sobre a adequação da estrutura hospitalar visa mitigar falhas na avaliação de recursos físicos e humanos, garantindo que o prestador entregue o que foi pactuado [Acórdão].
  3. Métricas de Efetividade e Eficiência: O ponto mais disruptivo é a busca por índices que avaliem o resultado real entregue. Isso alinha o SUS à tendência global de Saúde Baseada em Valor (VBHC), onde o sucesso não é medido pelo volume de procedimentos, mas pela recuperação funcional e satisfação do paciente.
  4. Foco na Segurança e Competência Profissional: Ao incluir auditorias sobre a atuação das vigilâncias sanitárias (Visa) e dos conselhos profissionais, o TCU ataca o "ponto cego" da segurança do paciente, essencial para reduzir riscos e agravos evitáveis [Acórdão].

Análise de Impacto: O Fim da Gestão Fragmentada

Esta decisão impacta diretamente a sustentabilidade do sistema e a qualidade do cuidado sob três vertentes estratégicas:

  • Combate ao Déficit Estrutural: Com projeções de que o déficit do SUS possa atingir R$ 57,5 bilhões até 2030, a indução da eficiência torna-se a única via de sobrevivência. O modelo atual, muitas vezes regido pelo fee-for-service (pagamento por serviço), incentiva o desperdício. A nova fiscalização força a transição para modelos que remuneram a resolutividade.
  • Adoção da Medicina Baseada em Evidências (MBE): Ao exigir protocolos robustos para o cumprimento de metas, o TCU induz os hospitais contratualizados a abandonarem a prática clínica intuitiva ou defensiva em favor de condutas que demonstrem superioridade clínica e custo-efetividade.
  • Fortalecimento da Governança Regional: A integração entre diferentes entes federados e órgãos de controle (como Tribunais de Contas Estaduais e Municipais) é vital para reduzir a atomização do sistema e a incorporação acrítica de tecnologias que elevam custos sem gerar valor real.

Considerações Estratégicas

A decisão do TCU atua como um catalisador de inovação na gestão pública. Instituições de saúde que não investirem em interoperabilidade e inteligência epidemiológica enfrentarão dificuldades crescentes para manter seus contratos frente ao novo rigor fiscalizador. Por outro lado, para os gestores que buscam a excelência, este cenário oferece a segurança jurídica necessária para implementar modelos assistenciais mais modernos e centrados no paciente.

ALERTA DE VIABILIDADE: A manutenção de modelos de contratualização focados apenas na disponibilidade de leitos, sem monitoramento de desfechos, é um risco à sustentabilidade financeira das redes de saúde. A ineficiência, hoje estimada em níveis críticos em muitos hospitais gerais, não será mais tolerada pelos órgãos de controle externo.

NOTA DE SENSIBILIDADE ÉTICA: Zelar pela eficiência do gasto hospitalar é, acima de tudo, um compromisso com a dignidade da pessoa humana. Administrar com fidelidade os recursos da saúde significa garantir que cada cidadão receba o cuidado certo, no tempo certo.

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07 maio 2026

Eficiência e Sustentabilidade na Saúde Suplementar: O Case de Sucesso da Geap sob a Gestão de Douglas Figueiredo

07.05.2026

Entrevista do Diretor-presidente da Geap Autogestão em Saúde, na CNN, dia 25.03.26. Clique  aqui para assistir a entrevista

O setor de saúde suplementar no Brasil atravessa um momento de transformação e desafios fiscais. Com custos médicos e insumos hospitalares subindo frequentemente acima da inflação oficial (IPCA), operadoras buscam fórmulas para manter a sustentabilidade financeira sem inviabilizar o acesso dos beneficiários. Nesse cenário, a Geap Saúde, sob a liderança do Diretor-Presidente Douglas Figueiredo, surge como um exemplo de equilíbrio entre gestão estratégica e assistência humanizada.

O Desafio da Longevidade

A Geap possui uma característica singular: uma carteira de 80 anos composta majoritariamente por servidores públicos. Segundo Douglas Figueiredo, em 2023, cerca de 60% dos beneficiários tinham mais de 59 anos. Este perfil demográfico, que naturalmente exige maior utilização de serviços médicos, demanda uma gestão rigorosa.

A resposta da Geap a esse desafio não foi o repasse automático de custos, mas sim a otimização de processos. "O foco foi repassar o mínimo possível ao cliente, buscando o equilíbrio entre receita e custo operacional", afirmou o presidente. O resultado dessa política foi um lucro líquido de R$ 69 milhões no primeiro triênio da atual gestão.

Os Três Pilares da Assistência: Primária, Secundária e Terciária

Para conter o avanço dos custos sem prejudicar a qualidade, Figueiredo destaca a importância de investir em níveis de cuidado:

  • Atenção Primária: O foco na prevenção e no acompanhamento digital (hoje com 50 mil usuários) e presencial (40 mil usuários) evita que doenças crônicas se agravem.
  • Atenção Secundária: Ao investir na prevenção, a operadora reduz drasticamente o número de internações hospitalares de urgência, que representam os maiores custos do setor.
  • Atenção Terciária: A implementação de internações domiciliares e hospitais de transição permite uma recuperação mais humanizada e barata do que a permanência prolongada em leitos de alta complexidade.

Essa estrutura permitiu à Geap aplicar reajustes na casa dos 8% a 8,9%, valores significativamente menores que a média praticada pelo mercado de planos coletivos.

Gestão Jurídica e Humanização

Outro gargalo do setor é a judicialização. Douglas Figueiredo explica que a Geap adotou uma postura proativa, internalizando sua equipe jurídica e fortalecendo o atendimento direto. Ao oferecer voluntariamente procedimentos "extra-rol" — aqueles que ainda não constam na lista obrigatória da ANS, mas possuem eficácia comprovada, como a vacina de HPV e testes oncológicos específicos — a operadora resolve a demanda do paciente antes que ela se torne um processo judicial.

"O servidor público é um cliente exigente e conhecedor de seus direitos. Nosso papel é oferecer um olhar humanizado e pronto atendimento para distensionar essa relação", conclui Figueiredo.

A gestão de Douglas Figueiredo à frente da Geap Saúde demonstra que é possível conciliar resultados financeiros positivos com um perfil de carteira de alto uso. A chave para a sobrevivência no mercado de saúde suplementar parece residir na transição do modelo puramente curativo para um modelo preventivo e tecnologicamente integrado, onde a eficiência operacional reverte em benefícios diretos para o bolso e para a saúde do consumidor.

Este artigo foi produzido a partir da entrevista do Diretor-presidente da Geap Autogestão em Saúde, na CNN, dia 25.03.26. Clique  aqui para assistir a entrevista

 

STF suspende julgamento de recurso para garantir revisão da vida toda

07.05.2026
Do portal da AGÊNCIA BRASIL,06.05.26
Por André Richter - Repórter da Agência Brasil 

Pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes suspendeu a análise 


O Supremo Tribunal Federal (STF) suspendeu nesta quarta-feira (6) o julgamento de mais um recurso para garantir o direito à revisão da vida toda das aposentadorias do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).

O julgamento virtual começou no dia 1° de maio, mas foi suspenso hoje por um pedido de vista do ministro Alexandre de Moraes. Não há data para a retomada do julgamento.

A Corte começou a julgar um recurso da Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos (CNTM) para garantir que a revisão seja válida para quem entrou com ação judicial até 21 de março de 2024, quando o tribunal vetou a revisão.

É o quarto recurso apresentado na Corte contra a proibição.

Antes de interrupção do julgamento, o placar da votação era de 4 votos a 1 para manter a decisão da Corte, que, em março de 2024, entendeu os aposentados não têm direito de optarem pela regra previdenciária mais favorável para recálculo do benefício.

O único voto favorável aos aposentados foi proferido pelo ministro Dias Toffoli, que votou pela modulação dos efeitos da decisão para garantir a revisão aos aposentados que entraram com ações judiciais no período entre 16 de dezembro de 2019, data de publicação da decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que reconheceu a revisão, e 5 de abril de 2024, data da decisão final do Supremo que vetou o direito.

Entenda

Em março de 2024, o Supremo decidiu que os aposentados não têm direito de optare pela regra mais favorável para recálculo do benefício.

A decisão anulou outra deliberação da Corte favorável à revisão da vida toda. A reviravolta ocorreu porque os ministros julgaram duas ações de inconstitucionalidade contra a Lei dos Planos de Benefícios da Previdência Social (Lei 8.213/1991), e não o recurso extraordinário no qual os aposentados ganharam o direito à revisão no STJ.

Ao julgar constitucionais as regras previdenciárias de 1999, a maioria dos ministros entendeu que a regra de transição é obrigatória e não pode ser opcional aos aposentados.

Antes da nova decisão do STF, o beneficiário poderia optar pelo critério de cálculo que renda o maior valor mensal, cabendo ao aposentado avaliar se o cálculo de toda vida poderia aumentar ou não o benefício.
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Fonte: https://agenciabrasil.ebc.com.br/justica/noticia/2026-05/stf-suspende-julgamento-de-recurso-para-garantir-revisao-da-vida-toda

PONTO PÚBLICO: Servidores do Executivo defendem igualdade no auxílio-saúde

07.05.2026
Do blog PONTO PÚBLICO, 27.04.26

 Servidores Federais do Rio de Janeiro aprovaram a iniciativa de Campanha Nacional para a Equiparação do Auxílio Saúde.

Mais de 700 servidores públicos federais em assembleia aprovam campanha permanente pelo auxílio-saúde.

A pauta ganha força porque não há igualdade nos valores desse benefício entre servidores de diferentes poderes, o que gera prejuízo no custeio da assistência à saúde.

“A medida tem impacto social e econômico, pois reduz a fila do SUS, melhora as condições de saúde dos servidores que prestam relevantes serviços ao povo brasileiro”, afirma Ronald Acioli, conselheiro eleito da Geap Saúde, uma das operadoras que atendem servidores públicos.

Entidades representativas da categoria dizem que novas mobilizações serão feitas como por exemplo audiências públicas no Senado e na Câmara Federal, buscando unir cada vez mais entidades na defesa desse direito dos servidores do executivo.
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